O QUE É O OBSERVATÓRIO DO CALOR DAS FAVELAS?
O Observatório do Calor das Favelas do Rio de Janeiro é um projeto inovador da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima que soma geração cidadã de dados, medições capilarizadas de calor e qualidade do ar, educação ambiental e intervenções contextualizadas para cada território para enfrentar o risco climático do calor extremo.
OBSERVATÓRIO ALEMÃO
O projeto piloto foi realizado em 2024 no Complexo do Alemão, em parceria da organização não-governamental Voz das Comunidades. A escolha do Alemão não foi por acaso: o território tem se mostrado o mais quente da cidade nos últimos anos. A escolha da parceria do Voz das Comunidades para conduzir a pesquisa – que, além das medições, incluiu uma pesquisa qualitativa das percepções de moradoras e moradores sobre os impactos do calor extremo no dia a dia – tampouco: o Voz, além de se dedicar à comunicação comunitária, também se interessa por entender os desafios daquele e de outros territórios de favelas e periferias, o que inclui os desafios da nova realidade climática.
METODOLOGIA
Cada território tem suas especificidades socioeconômicas, demográficas, geomorfológicas e culturais. Por isso, o Observatório do Calor tem uma metodologia-base quanto às medições de parâmetros meteorológicos e de qualidade do ar, mas é flexível quanto às metodologias auxiliares para a obtenção de informações adicionais sobre os territórios e os desdobramentos em termos de políticas públicas.
A metodologia-base envolve a definição de pontos de medição, que serão fixos até o final da pesquisa. Estes pontos devem cobrir diferentes áreas e diferentes desafios dos territórios: regiões mais próximas às matas, regiões com grandes obras de infraestrutura, becos mais estreitos, proximidade com hortas e até mesmo dentro de residências. Definidos os pontos, as medições devem ser feitas 3 vezes ao dia – manhã, tarde e noite -, sempre no mesmo horário, garantindo a comparabilidade dos dados obtidos. Por fim, as medições registradas devem incluir temperatura e umidade relativa do ar, permitindo a aferição do índice de calor e a inclusão dos dados obtidos na base da Prefeitura do Rio, considerando que o Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo usa o índice de calor para mapear os impactos do calor extremo na cidade e para promover políticas públicas de mitigação de tais impactos.
OBSERVATÓRIO MANGUINHOS E SALGUEIROS
Com o sucesso da pesquisa conduzida no Alemão (confira o resultado aqui [incluir link quando tivermos o relatório final]), o Observatório do Calor já tem seus próximos territórios definidos: Manguinhos e Salgueiro. Essas duas comunidades foram escolhidas pelas diferenças em relação ao Alemão – ambas são espacialmente bem menores e Manguinhos é plana – e pelas diferenças entre si: Manguinhos fica próxima a uma das principais vias expressas da cidade, a Avenida Brasil, e ao campus principal da Fiocruz, enquanto Salgueiro fica na região da Tijuca, na área de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca. A heterogeneidade não se dá apenas em aspectos geoespaciais dos territórios, mas também nas informações auxiliares que cada um pode apresentar, que incluem diretrizes para intervenções urbanísticas em Manguinhos e intervenções de design no Salgueiro, garantindo um olhar holístico ao risco climático do calor extremo nas comunidades do Rio de Janeiro.
O QUE SIGNIFICA OS DADOS DO PAINEL
Neste painel, o Observatório do Calor consolida os dados aferidos em cada comunidade – continuará assim no futuro -, garantindo transparência e dando acesso à sociedade e a pesquisadoras/es que queiram usar tais dados para cultivar conhecimento sobre os territórios em tela. Ainda, o painel integra os dados aferidos aos sistemas da Prefeitura, garantindo à Administração Pública Municipal informações descentralizadas sobre esses territórios, o que permite o aprimoramento de políticas públicas locais.